Participar do mercado de créditos de carbono e da economia verde é um bom negócio para as usinas

Eco-Fix

A participação do setor sucroenergético no mercado de créditos de carbono foi de grande magnitude. “Podemos afirmar que, até 2011, o Brasil possuía 77 projetos de cogeração utilizando o bagaço da cana-de-açúcar apresentados ao Comitê Executivo do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), sendo que 26 haviam sido registrados até então”, relata Rangel Romão, diretor da Consultoria Atlântica Simbios. No entanto, quantificar o montante negociado pelo setor até hoje representa um levantamento de complexidade considerável a ser realizado.
O mercado de crédito de carbono na década passada foi um pouco desorganizado no sentido que se transbordou a quantidade de créditos que os países da Europa podiam comprar. “É de se esperar novamente ter um mercado funcional em curto prazo, porém terá que ir acompanhado de políticas internacionais e tratados esquematizados”, afirma Alexis Leroy, CEO do Allcot Group. 
Segundo ele, atualmente 17 sistemas de comércio de emissões (ETS) estão em vigor em quatro continentes, abrangendo 35 países, 12 estados ou províncias, e sete cidades. Juntas, estas jurisdições representam cerca de 40% do PIB mundial.
Estes mercados, em 2015, movimentaram juntos cerca de 6,2 GtCO2e (gigatoneladas de CO2 equivalente) na forma de licenças e compensações de emissões. O volume foi 19% menor que em 2014, mas devido a preços mais altos praticados na maioria dos mercados o valor total negociado foi 9% maior que no ano anterior, alcançando 48,4 bilhões de euros, segundo o ‘Carbon Market Monitor’, de janeiro de 2016. Os mercados americanos cresceram cerca de 121% em volume negociado.
Sebastián del Valle, executivo do Allcot Group, salienta que a Europa permanece como o maior mercado de créditos de carbono mundial, com o maior volume negociado, “porém o mesmo continuou em tendência de queda”. Ele avalia que o principal motivo da desaceleração foi à ausência de entendimento e acordo global entre o fim do período de vigência do Protocolo de Kyoto e o acordo firmado em Paris recentemente. No entanto, acredita que “há uma perspectiva que em 2016 os volumes e valores de créditos de carbono negociados sejam ligeiramente superiores”.
“É interessante para o setor canavieiro participar deste mercado hoje”, na opinião de Rosa Brosé Rodriguez, do Allcot Group. “Com a cogeração, o setor sempre vai ter um papel muito importante e de projeção de crescimento neste mercado”, completa. 
Ela enxerga como fundamental a participação do setor sucroenergético na comercialização de créditos de carbono. “No entanto, o setor canavieiro, além de ter a possibilidade de participar diretamente gerando créditos de carbono, é também parte das estratégias de outras empresas que buscarão ferramentas e meios para reduzir suas emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) utilizado o etanol ou a energia da cogeração em seus processos e atividades. Desta forma, o setor precisa estar preparado não só para diretamente gerar créditos de carbono, como também para melhor apresentar-se para este novo cenário, capacitado e inserido nesta nova economia”, sublinha Rosa.
Outro produto do setor sucroenergético é o etanol de segunda geração, o qual não tem metodologias aprovadas no que diz respeito à geração de créditos. “O etanol é um negócio de alta rentabilidade e por conta disso acreditamos que uma nova metodologia esbarraria em alguns dos critérios a serem atendidos nos quesitos elegibilidade e adicionalidade. Mas o etanol de segunda geração oriundo da biomassa merece novas considerações”, aponta Rangel.

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Fonte: CanaOnline